segunda-feira, 15 de março de 2010

Dia de merda.

Domingo é o pior dia pra mim. Sair da minha casa, da minha cidade, ir pra casa de alguém que não é da minha família e ficar longe do "meu lugar".

Pois bem, foi o primeiro domingo que eu realmente senti essa transição de "minha cidade" para "merda de cidade". Não que aqui seja realmente uma merda, mas dá tristeza. Com isso na cabeça, resolvi sair com um amigo a noite, só pra trocar uma idéia rápida. E fomos... Quando voltei para minha casa, sentei na cama e tirei as coisas do bolso, notei: PORRA, MEU CELULAR FICOU NO CARRO DELE. A merda de esquecer o celular com os outros é que você não tem como avisar que esqueceu o celular com os outros. Ai você me pergunta: Tu não tem telefone em casa? Não.

Pensei: "Foda-se, amanhã eu pego na faculdade". Porém, com toda a minha tristeza pré-chico, não consegui dormir. Era quase 5h da manhã e eu percebi que já tinha assistido todos os episódios de Greek e tomado sopa de macarrão de madrugada, que é refeição de gente saudável. Eu sabia que não ia acordar na hora certa, afinal, meu celular é meu dispertador. Não é que eu acertei? Acordei desesperada as 8h da manhã, sendo que minha aula começa as 7:30h. Resolvi não correr e chegar na segunda aula (9:10h). Me arrumei e fui.

O que mais me incomoda de estar aqui não é nem a falta que sinto da minha cama, mas o excesso de ladeira. Se eu fosse prefeita daqui, mandava nivelar tudo sem querer saber dos gastos ou do que poderia acontecer. Ninguém merece subir parede! Mas ok, fui a pé e cheguei suando, como todos os malditos dias. E o que acontece? Não tem aula. Culpa da chuva do domingo que fez o favor de apagar a luz de várias regiões.

Pensei: "Foda-se, vou procurar meu amigo que tá com meu celular". Não achei, óbvio. Por sorte, ele mora há 2 quadras da faculdade. Por azar, ele mora no DECIMO PRIMEIRO ANDAR. Cheguei na portaria:
- O Júnior tá aí? Ele mora no 116 com o Fabrício, tem como interfonar pra mim?
- Não tem como interfonar porque tá sem energia, mas pode subir lá que eles tão aí... A escada fica no final do corredor.
PORRA! Não bastava eu ter subido a parede pra ir pra faculdade, as rampas pra ir até minha sala e certificar-me de que não haveria aula? Ainda tinha que subir 11 andares? Ok, né, o que a gente não faz pelo celular?
Cheguei suando, novamente. Fabrício abre a porta.
- Oi, o Júnior tá ai?
- Não...
- Er, não?
- Não, ele foi pra Embu, tinha que pegar umas coisas dele lá, mas pode entrar, dá uma olhada no quarto dele.
Sou muito educada, meu Deus! Até entrei, mas e a coragem de fuçar o quarto do menino? Dei tchau e desci, obviamente, puta da vida.
Já que o dia estava uma bosta, resolvi fazer compras. Descendo a parede que havia subido, vi uma escada. "Vou passar por debaixo mesmo, foda-se! Mais azar hoje não tem como...". MAS TEM, QUERIDA. Escorreguei na ladeira e cai no chão. Claro, não foi só isso. Meu joelho ficou fudido e minha calça (NOVA) rasgou. Nunca mais passo por baixo de escada...

Comecei a chorar histericamente, só consegui pensar em "quero minha casa". Resolvi procurar um orelhão pra ligar pra casa, já que estava sem celular, né. Achei UM: eeeee, felicidade. Fui ligar a cobrar e só conseguia digitar 9, o 0 da porra do telefone público não estava funcionando. Desisti. Peguei ônibus e fui até o shopping, onde comecei a terapia. Tudo mudou magicamente a partir dali.
Usei o pensamento da árvore (mate uma, plante duas) e comprei 2 calças... É, meu celular sumiu, mas meu cartão de crédito é intocavel.

Obs.: Os nomes estão trocados, obviamente.

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