quinta-feira, 6 de maio de 2010

Nostálgico.

Li uma resposta no FormSpring que me deixou puta. Pediram pro menino se dar uma qualidade pra cada letra do nome dele. Na letra N, ele escreveu NOSTÁLGICO. Achei ridículo ele ter se definido como nostálgico, mas a palavra combina, pra mim, com o momento.

Há exatamente três meses eu estava chegando à São Paulo. Minha mãe veio comigo pra me ajudar com as malas. Jantamos no Shopping e ela dormiu aqui pra eu não sentir tanta diferença. Me lembro de como fiquei puta quando vi que ela deitou do lado que eu gosto de dormir, mas fiquei quieta.

Eu mal sabia que o dia seguinte seria um dos melhores da minha vida: o dia do trote. Eu sabia que seria bom, mas não que seria ótimo. Acordei, liguei o meu antigo notebook (coitado, em um ano a tela ficou uma merda e eu comecei a detestá-lo), coloquei música, entrei no MSN e fui tomar banho. Quando voltei, ela estava dando uma arrumada no quarto pra mim. Ela foi tomar banho e saímos. Foi a primeira vez que comi no Ibérica, uma padaria aqui perto. E graças à Deus a gente tomou café da manhã! Acho que todo mundo deve pensar que eu exagero quando comento sobre o tanto que eu bebi aquele dia. Depois de já ter bebido até mistura de Velho Barreiro com 51 numa garrafa de Absolut e arrecadado mais de 80 reais no farol com três amigos, recebo a ligação da mamãe: Preciso ir embora, você não ia voltar na hora do almoço? Vou te levar a chave, onde você está?
Sim, a intenção era voltar na hora do almoço, afinal, meu período na faculdade é o matutino, mas estava tão bom que eu não queria ir embora...
E ela me levou a chave. Não sei até hoje como ela não percebeu o meu cheiro de álcool... Talvez tenha sido por causa dos meus outros ingredientes: ovo, farinha, café, tinta de parede, etc.
Anoiteceu e eu senti que estava fudida. Minha rua a noite é super escura e eu nem conhecia aqui direito. Por sorte, conheci o Ignorante (veterano) que fez a maior gentileza do mundo: forrou o banco do carro dele com saco de lixo (aqueles pretos enormes) e me trouxe de carona. Isso já era mais de 22h. Cheguei em casa e me deu vontade de chorar. O quarto estava arrumado, limpo e cheio de guloseimas acompanhado por um bilhete escrito na minha agenda. Mamãe me ama, eu sei.

Aliás, no primeiro dia de aula eu entrei na sala, vi que todo mundo se conhecia e achei estranho. Perguntei pra menina ao meu lado em que sala estávamos e a resposta foi: 337, matemática financeira. ERA AULA OPTATIVA! Eu tava na sala errada..

Só depois do carnaval que eu senti como era ruim ir pra faculdade. Motivo: ladeiras. (E só depois de uns 2 meses ou mais que eu comentei com a senhora aqui do apartamento o caminho que eu fazia. Ela ria, ria e ria mais, falando que se eu fosse por uma rua ao lado não teria que subir tanta ladeira.)

Era tudo tão legal e novo que até no trote de outra faculdade (a rival, aliás) eu fui. No nosso trote, o Rio.é.putaria, amigo do Sayfarth nos visitou, então retribuímos a visita. O problema é que não sabíamos como chegar de ônibus, não tínhamos dinheiro e A FACULDADE É RIVAL, PORRA. Mas e daí? Fomos mesmo assim... Foi cômico! Precisamos tanto do dinheiro que pedi pro Rio.é.putaria tirar a camisa, vesti por cima da minha e fingi que era bixete no farol pra arrecadar dinheiro. No final, nem precisei da grana. Liguei pro Ignorante e ele me buscou.

Foram inúmeras aventuras. Até pra Guarulhos eu fui! Tudo por causa de um leilão de automóveis...

Fui pra Rio Claro com o Ignorante pro aniversário de uma amiga. Onde bateram no nosso carro e eu passei mal na casa da menina. Mesmo assim, foi legal.

Chamei um amigo pra dormir na minha casa (na praia) e ele passou mal também, mas foi legal.

Dei PT na balada. Culpa de 4 tequilas em menos de 30 minutos. Fui virada pra faculdade e não tinha mais aula.

Passei um dia inteiro no Centro Academico de Direito. Só comendo, conversando e descansando.

Almocei diversas vezes com os meninos no restaurante do lado da facul.

Quase dividi apartamento com dois brothers. Chegamos até à conhecer o local.

Tirei nota máxima em um trabalho de Psicologia.

Assisti, todas as quartas-feiras, jogo do Timão no bar com um amigo.

Em Março teve a primeira balada da faculdade e foi, de verdade, uma das melhores da minha vida. Nunca tinha saído da balada já de manhã, então era novidade.

Fui na festa do Direito e conferi, pessoalmente, que a da FEA é muito melhor! hahahah

Fui pra balada de ônibus e também voltei.

As coisas começaram a ficar chatas, monótonas. Parei de dormir no horário certo (sempre ia pra cama lá pelas 22h) e comecei a sair mais a noite durante a semana.

Fiquei com medo de pegar DP por faltas, principalmente as que eram da primeira aula.

Cansei de subir ladeira pra ir pra faculdade, acordar cedo e até deixei de tomar café da manhã pra poder dormir mais.

Comecei a colar nos ensaios da bateria domingo e aprendi a tocar Caixa.

E hoje comecei a pensar que isso tudo acabou, que agora vou pra Rehab...
Talvez faça bem, mas não posso esquecer de jeito nenhum tudo que aconteceu nesses três meses em que eu estava morando aqui. Não vou saber viver sem aparecer na faculdade pelo menos um dia a noite pra ver o pessoal, sem ir pro bar na quarta assistir o jogo, sem poder escolher ir pra casa ou ficar aqui no final de semana... Odeio essas saudades pré-estabelecidas.

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